Porque a Alemanha
é diferente?
Os alemães estão no meio da crise europeia,
e mesmo assim sua
economia mantém
o vigor, a confiança
e o poder para afetar
o mundo, incluindo
o Brasil. Qual é
o segredo?
Marcos Coronato
O continente europeu continua instável. Períodos de relativa calmaria são logo interrompidos por sinais de que a crise econômica do continente pode se agravar ainda mais - e rapidamente. Como se anunciasse um grande terremoto para breve, o Velho Continente continua sofrendo com pequenos, mas regulares, tremores. Menos a Alemanha. A economia alemã, mesmo no centro da crise europeia e rumando para uma possível recessão em 2012 (após um belo crescimento de 3% em 2011), segue digna de confiança de investidores. Muitos se perguntaram por quê. Há historiadores que recuam ao anos 9 na busca da origem de uma força singular dessa nação; Guerreiro de diferentes tribos se agruparam na floresta fechada e lamacenta de Teutoburgo, no território que o Império Romano chamava de Germânia. Sob o comando do chefe Hermann (ou Armínio, na versão latina), eles se esconderam e emboscaram três legiões romanas, aniquilando 15 mil soldados. Os romanos recuaram e nunca mais tentaram seriamente conquistar a Germânia. Ali floresceriam lei e costumes muito característicos - e um país que viria a se chamar Alemanha.
A mais recente demonstração de confiança nos alemães foi dada na sexta-feira 13 de janeiro, quando a agência de classificação de risco Standar & Poor`s passou a considerar nove países europeus menos confiáveis como pagadores de dívidas, incluindo a França, sem tocar na nota que caracteriza a Alemanha como porto seguro econômico. Logo o início do ano, o país havia recebido outra deferência. A maior empresa de administração de recursos do mundo, a americina Black Rock, afirmou que a crise na Europa poderia piorar muito (um cenário que a empresa chama de Nêmesis, a deusa grega da punição e da vingança). E listou quais seriam os pouquíssimos investimentos seguros no mundo nesse caso: estocar ouro e emprestar dinheiro para alguns países, como Estados Unidos, o Japão e -a adivinhou? - a Alemanha.
Os efeitos e a reputação da economia animaram o país, nos últimos anos, a chamar por seu lugar de volta na política global. Desde a reunificação, em 1990, a Alemanha passou a atuar em frentes diversas - compôs a força internacional de combate aos talebans no Afeganistão, participou de negociações entre israelenses e palestinos e negocia com outras potências para se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Mas o que fizeram os alemães para desfrutar esses status, mesmo sem resolver a crise europeia? Essa questão pode ser dividida em algumas perguntas-chave, reveladoras sobre o que aconteceu naquela parte do mundo desde que os germânicos impediram o avanço romano, 2 mil anos atrás.
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