EM 2011, O INSTITUTO OLGA KOS COMPLETA QUATRO ANOS DE PAIO A PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL. POR MEIO DO ESPORTE E, PRINCIPALMENTE, DE OFICINAS DE ARTE, PROMOVE A INCLUSÃO DAQUELES QUE COSTUMAM FICAR Á MARGEM DA SOCIEDADE
Faz 30 anos que o engenheiro Wolf Kos e sua mulher, pediatra Olga, iniciaram uma coleção de arte com mais de 1.200 obras. No acervo, telas de artistas como Lasar Segall, Salvador Dali, Tarsila do Amaral, Mira Schendel, Tomie Ohtake, Di Cavalcanti e Portinari, além de esculturas, gravuras e fotografias. Wolf trabalhava no ramo imobiliário e a vida andava bem - até que, em 2006, teve de passar por uma cirurgia cadíarca. Foi um procedimento simples, mas que trouxe uma sequela inesperada: uma infecção hospitalar que o deixou internado por seis meses e quase o matou. "Foram tempos difíceis". Lembra Olga. "Além de torcer por sua recuperação, a única coisa que podíamos fazer, enquanto estávamos no hospital, era assistir á televisão."
Mal sabiam eles, na época, que justamente a programação televisar mudaria para sempre a vida de ambos. Estava no ar, na Rede Globo, a novela Páginas da vida. Uma das questões centrais da trama era a rejeição da criança Clara, portadora de síndrome de Down. "O Wolf se envolveu com a história e decidiu que, caso ficasse bem de saúde, fundaria um instituto voltado á educação de pessoas como ela", diz Olga. Com dois filhos e dois netos - nenhum deles deficiente -, o casal acreditou na causa e cumpriu a promessa. Assim que ele teve alta, começou a procurar patrocinadores para ajudá-lo na empreitada. "Foi o primeiro desafio. Achei que seria simples - tenho muitos amigos que dirigem bancos e grandes empresas, mas poucos estavam realmente dispostos a investir", diz Wolf.
Foi aí que ele decidiu colocar sua coleção de obras á disposição. Sem pestanejar, doou todo o acervo para o recém-inaugurado instituto, para o qual deu o nome da mulher (ela abriu mão da profissão para capitanear o projeto). Ambos decidiram que utilizariam a arte para resgatar a autoestima e incluir socialmente pessoas com deficiência intelectual. "São ´crianças´ - independentemente de terem 10 ou 60 anos - á margem da sociedade", diz Wolf. "O que fazemos não é simplesmente dar um hobby. A ideia é ajuda-las a se desenvolver física e intelectualmente, para depois, se for o caso, poder inseri-las no mercado de trabalho."
O primeiro projeto do instituto chama-se Resgatando Cultura. O intuito é dar espaço para obras de artistas contemporâneos com a publicação de livros de arte. Wolf atraiu nomes como Gustavo Rosa, Isabelle Tuchband e Marysia Portinari. Em troca do livro publicado, cada um deles ministra oficinas de arte para as "crianças". "Os resultados foram impressionantes, com trabalhos maravilhosos", afirma Olga. Viviane Campagna, mãe de Alexandre, 17 anos conta que a concentração dele até melhorou após participar das aulas. "Ele sempre estudou em escolas regulares, mas não, gostava muito de artes. Seus trabalhos eram repetitivos. Agora, no Olga Kos, tudo mudou: ele está mais criativo e focado", diz. Ao fim de cada oficina, há um grande evento de lançamento do livro, exposição e venda de obras do artista e das crianças.
Parte da renda obtida com a venda dos livros e das obras (do artista e das crianças) vai para o instituto. Outras parte retorna para eles. "É muito importante, para o deficiente intelectual, sentir-se útil", diz Wolf. "Para algumas famílias, aquela pessoa por vezes representa um estorvo. A partir do momento em que ela consegue gerar uma renda, a dinâmica muda. Ela é visa com admiração." Pensando nisso de forma mais ampla, o Olga Kos foi responsável por idealizar o primeiro concurso público para pessos, com deficiência intelectual. Em parceria com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), dois jovens foram contratados para exercer funções administrativas em 2009. Além de acompanhamento psicológico para eles, o instituto também aconselhou chefes e funcionários do conselho, para ajudá-los a lidar com pessoas com deficiência.
Outros projetos são o Pintou e Síndrome do Respeito e Karatê e Taekwondo para Deficientes Intelectuais. O primeiro é ligado ao Resgatando Cultura e contempla oficinas de pintura, escultura e fotografia. O segundo é um projeto esportivo que visa a resgatar a confiança e a autoestima. "Muitas delas são resguardadas pelas famílias e interagem pouco. Depois das aulas, elas melhoram insclusive as funções motoras - uma das que participaram mal conseguia se levantar. Hoje, ela anda normalmente", conta Wolf.
Quase 1.500 crianças - de organizações como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae-SP) e a Associação para o Desenvolvimento Integral do Dow (Adi) - já passaram pelas oficinas promovidas pelo Instituto Olga Kos. Os resultados, medidos por psicólogos e empresas especializadas em pesquisa, são excelentes: há melhoras significativas na fala, memória, expressão, linguagem e agressividade. "Fazemos questão de ter essa auditoria sempre presente, até para sabermos onde temos de melhorar", afirma Wolf. Tanto cuidado rendeu ao instituto uma dezena de prêmios, entre eles o de Cultura e Saúde, do Ministério da Cultura, e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo (CMDCA).
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