sexta-feira, 25 de maio de 2012

Não basta TER ASAS
As aves se adaptaram á escassez
de alimento e de
oxigênio durante o voo
  Muitos fósseis encontrados na China nos últimos anos estão ajudando a entender melhor como e quando as aves surgiram e começaram a voar. Um dos mais recentes, apresentado em setembro de 2009 na Nature, é o Anchiornis, animal com apenas e quatro asas que viveu há cerca de 150 milhões de anos, 10 milhões de anos antes do Archaeopteryx, até apareceer outro fóssil mais antigo, iniciou a formação de um grupo de animais caracterizados principalmente pela habilidade de voar, ás vezes milhares de quilômetros, como as aves migratórias. "Hoje, 90% das espécies de aves voam", diz o iólogo José Eduardo Bicudo, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e principal autor do Livro Ecological and environmental physiology of birds, publicado em fevereiro pela Universidade de Oxford, Inglaterra. Seus estudos, somados aos de outros especialistas, indicam que as aves conseguiram  voar não só porque ganharam asas e penas próprias para o voo, mas também porque  ganharam adquiriram adaptações fisiológicas que lhes peritem voar durante semanas em altitudes elevadas, onde há pouco oxigênio, bem acima do que o ser humano consegue chegar,  a não ser por meio de avião.
  "O princípio  fisiológico é simples : quanto menos carga levar durante a viagem, melhor", diz Bicudo. Antes da partida, os músculos que ajudam a voar ganham volume, mas depois atrofiam á medida que a viagem está correndo. Outra peculiaridade é a eficiência digestiva."As  migratórias podem aumentar ou reduzir a produção de enzimas digestivas, se têm muito pouco alimento. Se não têm alimento, as células dos sistema digestivo morrem e o trato digestório encolhe á metade  do volume inicial. Quando  acaba o jejum, o estômago, os intestinos e figado    fazem novas células e voltam ao volume normal".
  Ver aves de  rapina planando sobre a cordilheira do Himalaia, a 9 mil metros de altitude, podes ser um belo espetáculo para nós, embora para as aves provavelmente seja  desconfortável: em altas altitudes, faz muito frio e a concentração de oxigênio  é baixa. "Elas superam as dificuldades por meio da eficiência respiratória", conta Bicudo. E um artigo publicado em 2006 na Integrative and Comparative Biology, Douglas Altshuler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e Robert Dudley, do Smithsonian Institute, descrevem os mecanismos fisiológicos que permitem o voo em altitudes elevadas - e vão além dos sacos aéreos, bolsas conectadas aos pulmões e aos ossos que deixam o esqueleto mais leve. Os pulmões das aves extraem quase todo o oxigênio do ar e a hemoglobina delas tem maior capacidade de ligar-se e de desligar-se do oxigênio que a humana.
  Conhecidas pelo olhar arguto, as aves podem ter também olfato razoavelmente apurado. "Muitas espécies de aves marinhas detectam dimetilsulfato, substância gerada por peixes em decomposição, que lhes serve  para a navegação e procura de alimentos. Os albatrozes têm um voo relativamente aleatório até encontrar um cardume de peixes que exala dimetilsulfato", relata Bicudo. Além, do olfato desenvolvido, embora por décadas tenha sido desconsiderado, outro conceito que pode surpreender é que o cérebro de mamíferos e o da aves, mesmo morfologicamente bem diferentes, têm estruturas funcionais equivalentes - uma conclusão que põe por terra a expressão cérebro de galinha para designar pessoas pouco inteligentes. "Os pombos podem memorizar 400 padrões de cores", argumenta Bicudo. É também por meio do sistema nervoso que as aves detectam o eixo magnético da Terra e identificam o norte ou o sul.


O PROJETO
Estudo comparativo dasinterrelações de fatoresontogenéticos e ambientais sobrea endotermia de Melipona bicolorLepeletier - n° 2002/13973-2

MODALIDADE

Bolsa de Doutorado (Denise loli)


COORDENADOR
José Eduardo Pereira Wilken
Bicudo - IB-USP

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