Com a força da mente
Uma rede de academias para o cérebro prometer melhorar
habilidades como concentração e memória.
O que a ciência tem a dizer - e o que você pode usar
Primeiro, sinto incômodo por ser desafiada a encontrar uma resposta. Depois, o receio de não conseguir resolver o problemas: em seguida, frustração e cansaço por falhar nas primeiras tentativas. Por fim, satisfação e orgulho ao chegar ao resultado certo e perceber que estou mais afiada a cada problemas resolvido. Uma parte de mim se diverte, outra acha que vai ter enxaqueca á noite. Mas isso deve ser normal na primeira vez que se vai a uma academia para o cérebro.
O ambiente é o que se espera de um lugar criado para malhar os neurônios. Na entrada da academia, chamada Supera, no bairro paulistano de Santana, há estantes com livros. Pelas salas silenciosas, espalham-se jogos como a tangram (um conjunto de sete peças achatadas que se combinam para formar diferentes figuras) e a torre de hanoi (três pinos em que se deve encaixar até oito rodelas de diferentes tamanhos, seguindo regras determinadas). Ao chegar a cada aula, o aluno recebe um soroban, um dispositivo usado para afazer cálculos no Japão, há 400 anos e em uma versão mais antiga, há mais de 2 mil anos, na China. O soroban combina com o ambiente com despojado e os mais 40 tipos de jogos, todos de madeira, sem nenhum componente eletrônico.
Dependendo da habilidade cerebral que se queira exercitar, há atividades interativas. Numa delas, o grupo foi dividido entre os proibidos de falar, os de mãos amarradas e os de olhos vendados, todos trabalhando juntos para cumprir um objetivo.
A rede Supera de academias para o cérebro foi criada em 2006 pelo engenheiro Antônio Carlos Perpétuo, formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Desde então, mais de 10 mil pessoas frequentaram as aulas em 64 unidades, 63 delas franqueadas, espalhadas por 15 Estados. As turmas podem ter até 12 alunos, que não evoluem em conjunto - cada um segue seu próprio ritmo. "As atividades tiram o cérebro da zona de conforto,", diz Perpetuo. "O objetivo não é treinar matemática. É dar estímulos diferentes dos que estamos acostumados". A ideia de ginástica para o cérebro não é nova e parece fazer sentido. Mas funciona?
Perpetuo diz que funcionou para seu filho caçula, hoje com 16 anos. Aos 9, o menino tinha dificuldades para se concentrar na escola. O pai conta ter procurado ajuda de um psicólogo e de um psicopedagogo, sem chegar a um resultado satisfatório. Enquanto buscava orientação, conheceu o soroban. "Descobri que é uma ferramenta pedagógica fantástica, que poderia ajudar meu filho a desenvolver concentração e velocidade de raciocínio" diz.
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